Boa noite pessoal.
O horário de verão chegou, e para o bem ou para o mal os dias vão estender-se mais um pouco. Gosto do horário; não aumenta realmente o dia, mas pelo menos dá a impressão, o que já é algum consolo...
No mês de julho (Polícia e policiais) já tinha colocado algumas reflexões (na verdade usei um texto do Carlos Heitor Cony para isso) em relação à algumas situações encontradas e causadas pela Polícia, dentro de um contexto onde várias mortes sumárias, em vários locais do país, estavam acontecendo quase que simultaneamente.
Eis que esta semana a polícia novamente aparece no noticiário, em três situações distintas.
A primeira, ocorrida no RJ, foi o assassinato do diretor do presídio Bangu III, José Roberto do Amaral Lourenço, na manhã de quinta-feira. Com o carro metralhado, teve a vida interrompida e ainda acusado de imperícia pelos policiais cariocas, que condenaram o diretor não estar sendo escoltado por guarda-costas no momento do crime (como se adiantasse muita coisa, uma vez que ao todo foram encontradas 60 marcas de disparo no carro. O máximo que teria acontecido seria uma chacina, com a morte dos outros guarda-costas e por ventura a morte de um ou outro homem envolvido no crime).
Na quinta-feira a tarde, o conflito entre as Policias Civil e Militar em frente ao Palácio dos Bandeirantes foi, no mínimo, triste. De um lado, funcionários mal pagos e que, há quase um mês parados, não conseguiram um acordo formal com o Governo, criando um impasse; de outro, homens treinados para manter a segurança de locais públicos, estando todos entre a cruz e a espada ao terem que encarar colegas de serviço como inimigos. Além de aflorar a histórica rivalidade entre as políticas, a manifestação demonstra a constante falta de habilidade dos governos de SP em administrar situações de impasses, situações existentes desde a década de 80, com os primeiros governos eleitos democraticamente (os bancários, também em greve já há algum tempo, reinvidicam melhores condições, tanto os da iniciativa privada como os funcionários públicos). Assim, com os serviços públicos afetados, carece um pouco mais de preocupação do Governo com estas situações, ponderando os prós e contras e preocupando-se um pouco mais com as negociações. Só não pode ter violência nem intolerância; e, principalmente no caso do confronto entre as Policias, houve estas características dos dois lados.
Finalizando, o caso de Santo André. Independente dos acontecimentos, pelo menos um mérito houve dos policiais envolvidos: não ter assassinado o jovem que causou toda a situação. Sei que o impulso natural da maioria da população seria ter o feito (eu, nesta situação, provavelmente já estaria quase em colapso nervoso e teria atirado nele), a corporação manteve sua finalidade de manter a ordem, e ao conseguir acabar com o sequestro e rendê-lo em vida, entregando o jovem para ser julgado conforme as instâncias que possuem esta finalidade. Não tenho muitas esperanças que isto aconteça: o sequestrador já foi jurado de morte na delegacia (está isolado dos outros presos), e creio que mais dia menos dia acabará morto (há alguns códigos de ética e honra da prisão que são imutáveis, e seu cumprimento é na maioria dos casos eficiente). Lamento bastante pela morte da ex-namorada; também não gosto de imaginar o que ela deve ter sofrido lá dentro antes de ser baleada. Apenas 15 anos; infelizmente, ela deparou-se cedo com o desespero e a insanidade humana, personificada na figura de seu companheiro durante três anos.
Fecho colocando que, gostando ou não, todos os acontecimentos giram em torno de homens, que mesmo a mando de corporações ou instituições, possuem sua subjetividade, na maioria dos casos latente. São treinados para manter a segurança (ou, na maioria dos casos, para "resolver problemas" - diga-se de passagem, eliminar o problema), e a tensão a qual são expostos muitas vezes causam traumas irreversíveis, tanto a si próprios quanto para a sociedade a qual são designados para proteger, e as pessoas que estão ao seu redor.
Se fui confuso na minha argumentação, perdão. Pretendo voltar mais vezes ao tema.
Do mais, esta semana houve o 2º GT de Religiões aqui na Unesp Franca, e a Flávia esteve aqui. Ou seja, semana fantástica.
Abraços, ótimo começo de semana a todos, até mais.
O horário de verão chegou, e para o bem ou para o mal os dias vão estender-se mais um pouco. Gosto do horário; não aumenta realmente o dia, mas pelo menos dá a impressão, o que já é algum consolo...
No mês de julho (Polícia e policiais) já tinha colocado algumas reflexões (na verdade usei um texto do Carlos Heitor Cony para isso) em relação à algumas situações encontradas e causadas pela Polícia, dentro de um contexto onde várias mortes sumárias, em vários locais do país, estavam acontecendo quase que simultaneamente.
Eis que esta semana a polícia novamente aparece no noticiário, em três situações distintas.
A primeira, ocorrida no RJ, foi o assassinato do diretor do presídio Bangu III, José Roberto do Amaral Lourenço, na manhã de quinta-feira. Com o carro metralhado, teve a vida interrompida e ainda acusado de imperícia pelos policiais cariocas, que condenaram o diretor não estar sendo escoltado por guarda-costas no momento do crime (como se adiantasse muita coisa, uma vez que ao todo foram encontradas 60 marcas de disparo no carro. O máximo que teria acontecido seria uma chacina, com a morte dos outros guarda-costas e por ventura a morte de um ou outro homem envolvido no crime).
Na quinta-feira a tarde, o conflito entre as Policias Civil e Militar em frente ao Palácio dos Bandeirantes foi, no mínimo, triste. De um lado, funcionários mal pagos e que, há quase um mês parados, não conseguiram um acordo formal com o Governo, criando um impasse; de outro, homens treinados para manter a segurança de locais públicos, estando todos entre a cruz e a espada ao terem que encarar colegas de serviço como inimigos. Além de aflorar a histórica rivalidade entre as políticas, a manifestação demonstra a constante falta de habilidade dos governos de SP em administrar situações de impasses, situações existentes desde a década de 80, com os primeiros governos eleitos democraticamente (os bancários, também em greve já há algum tempo, reinvidicam melhores condições, tanto os da iniciativa privada como os funcionários públicos). Assim, com os serviços públicos afetados, carece um pouco mais de preocupação do Governo com estas situações, ponderando os prós e contras e preocupando-se um pouco mais com as negociações. Só não pode ter violência nem intolerância; e, principalmente no caso do confronto entre as Policias, houve estas características dos dois lados.
Finalizando, o caso de Santo André. Independente dos acontecimentos, pelo menos um mérito houve dos policiais envolvidos: não ter assassinado o jovem que causou toda a situação. Sei que o impulso natural da maioria da população seria ter o feito (eu, nesta situação, provavelmente já estaria quase em colapso nervoso e teria atirado nele), a corporação manteve sua finalidade de manter a ordem, e ao conseguir acabar com o sequestro e rendê-lo em vida, entregando o jovem para ser julgado conforme as instâncias que possuem esta finalidade. Não tenho muitas esperanças que isto aconteça: o sequestrador já foi jurado de morte na delegacia (está isolado dos outros presos), e creio que mais dia menos dia acabará morto (há alguns códigos de ética e honra da prisão que são imutáveis, e seu cumprimento é na maioria dos casos eficiente). Lamento bastante pela morte da ex-namorada; também não gosto de imaginar o que ela deve ter sofrido lá dentro antes de ser baleada. Apenas 15 anos; infelizmente, ela deparou-se cedo com o desespero e a insanidade humana, personificada na figura de seu companheiro durante três anos.
Fecho colocando que, gostando ou não, todos os acontecimentos giram em torno de homens, que mesmo a mando de corporações ou instituições, possuem sua subjetividade, na maioria dos casos latente. São treinados para manter a segurança (ou, na maioria dos casos, para "resolver problemas" - diga-se de passagem, eliminar o problema), e a tensão a qual são expostos muitas vezes causam traumas irreversíveis, tanto a si próprios quanto para a sociedade a qual são designados para proteger, e as pessoas que estão ao seu redor.
Se fui confuso na minha argumentação, perdão. Pretendo voltar mais vezes ao tema.
Do mais, esta semana houve o 2º GT de Religiões aqui na Unesp Franca, e a Flávia esteve aqui. Ou seja, semana fantástica.
Abraços, ótimo começo de semana a todos, até mais.
Um comentário:
É triste o fato de a polícia não 'progredir'.. A necessidade humana ainda gira em torno da força física, de armas.. sempre foi assim, desde a era antiga..
A esperança é que um dia isso mude.. não obstante, a população ainda pressiona para que a força seja usada.. Convenhamos que deve ser bem desestimulante tentar manter uma ordem, algo 'pacífico', com meia cidade, além da mídia, em cima, querendo a morte do sujeito..
Como dito anteriormente, o que resta é a esperança de que um dia isso mude..
Até.
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