domingo, 27 de julho de 2008

O médico e o monstro


Será exagero o título? Talvez sim, talvez não. O importante a frisar é como um homem ou um grupo pode chegar à extremos tão forte e tão absurdos para fazer prevalecer sua ideologia, ou contornar um problema que incomode muito.
Considerado por muitos o "Hitler contemporâneo", Radovan Karadzic foi o representante da Sérvia na então colônia Bosnia-Herzegovina entre 1992 e 1995, sendo acusado do maior extermínio em massa após a Segunda Guerra Mundial, sendo acusado de mandatário da morte de mais de 8.000 civis durante este ano. Motivo: repressão contra os movimentos de indepedência na Bósnia, já que a Iugoslávia vinha lentamente desintegrando-se, pois a frágil rede de sustentação durante a Guerra Fria começava a quebrar com a independência da Croácia, em 1991.
Muitos dizem que a grande motivação foi religiosa. Além de psiquiatra, Karadzic era poeta; em sua produção poética, geralmente o que se via era uma determinação a disseminar sua forma de enxergar a religiosidade, uma forma que pregava que todo o convertido teria o que quisesse, não seguindo necessariamente as leis dos homens, mas sim as leis de um outro plano.
Acusado de crime contra a humanidade, ele estava foragido desde 1996. Segunda passada, foi encontrado em Saravejo com uma nova identidade e com visual bastante diferente; atendia em uma pequena clínica, e era um cidadão respeitado na pequena região próxima ao centro da cidade.
Enviado para Haia (Holanda), será seu próprio advogado. Predestinação? Desespero, por falta de apoio de seus antigos aliados?
Não se sabe. Por ora, será apenas aguardar. Independente de um juízo antes ou depois do julgamento, é importante frisar como valorizamos muito mais os seres que estão próximos das nossas idéias e condutas do que os outros; é interessante observar como a máxima cristã de amar ao próximo como a si mesmo é bem esquecida, ou usada apenas quando convém.
Independente de ser culpado ou não, Karadzic foi, direta ou indiretamente, responsável por tais mortes (e o número de 8.000 refere-se à civis; os militares não entram em tal conta). Recentemente, vimos o episódio de Kosovo, que felizmente não terminou em catástrofe; observamos ali, praticamente o mesmo contexto, a mesma região, ainda os mesmos problemas.
É torcer para que nada mais aconteça. Que possamos valorizar a vida em vez da morte.
Boa semana a todos, até mais.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Polícia e policiais

Bom dia pessoal.
Durante todas as férias, vários assuntos intrigaram-me muito. Mas talvez o que eu mais tenha necessidade de escrever é sobre a atuação de alguns policiais (importante frisar isto, pois não é a atitude da polícia em si) em todo o Brasil, disseminando várias mortes totalmente inexplicáveis do ponto de vista lógico. Voltarei certamente ao assunto; a ânsia de escrever fez com que eu não escreva. Para iniciar a provável discussão, coloco um texto de Carlos Heitor Cony da folha de ontem (24/07/2008), que traz à discussão alguns pontos importantes. Prometo que futuramente voltarei.
Abraços, e bom fim de semana.

Era de paz

Carlos Heitor Cony

Uma nova realidade somada a outras realidades: a instituição policial não apenas caiu no descrédito da população, mas passou a ser detestada. Há motivos para isso, alguns históricos, outros mais recentes, como a morte de inocentes durante as operações contra supostos criminosos.
A julgar pelo noticiário da mídia, não existem bandidos a não ser aqueles fardados que dispõem de armas fornecidas pelo Estado. São eles que, sozinhos, promovem aleatoriamente os tiroteios, matam cidadãos honestos e são responsáveis por todas as balas perdidas que fazem vítimas fatais.
É notório o despreparo de grande parte dos policiais. Cometem erros de interpretação, de truculência, de precipitação etc. Mas, a julgar pelas matérias veiculadas na mídia, a impressão resultante é que todos os dias sai dos quartéis um bando de assassinos que só retornam a seus alojamentos deixando cinco, seis ou mais corpos nas ruas.
Não fosse a polícia, viveríamos um estado de graça permanente, sem roubos, assaltos, seqüestros e chacinas. Os supostos bandidos, apesar de disporem de arsenal sofisticado, são pessoas de bem, aceitos por suas comunidades, alguns deles até são promovidos a heróis que defendem os oprimidos contra o arbítrio do poder constituído.
Pelo menos aqui no Rio, o governo estadual adotou oficialmente a política do confronto com o crime. Mas a realidade que se depreende do noticiário é que não mais existe crime, mas supostos criminosos que são assassinados implacavelmente por aqueles que são pagos para proteger a população.
Se houver um plebiscito para acabar com a polícia, não será surpresa se a maioria votar pela sua extinção, na esperança de viver em paz, sem supostos bandidos e sem balas perdidas.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Voltando

Oi pessoal.
Estou voltando as atividades, embora em ritmo bem parado...
Tenho um milhão de idéias na cabeça porém sem muita disposição para transpor. Muitas coisas acontecem o tempo todo; está difícil parar e raciocinar algo.
Mas vou tentar, logo logo.
Pelo menos, aos poucos, estou voltando.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Férias

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