segunda-feira, 5 de maio de 2008

O caso Isabela

Boa tarde pessoal.
Depois de quinze dias, volto a cá...
Mil perdões pela demora, mas infelizmente estou sem Internet em RP (como já dito), e aqui em Franca é difícil (como também já disse)...
Passo pra salientar que agora daqui pra frente o frio vem pra acompanhar nossa vida e estimular a preguiça, a muita comilança e a dormir bastante.
Estive pensando mais a fundo em relação ao caso-sensação da imprensa nacional e das conversas de boa parte de sua audiência: o caso Isabela.
Posso parecer até bastante insensível nesta postagem, mas o caso já me deu nos nervos. Não tenho dúvidas quanto a sua monstruosidade: assassinar qualquer pessoa já é um ato passivo de repulsa, e uma criança então é ainda mais, pois não há paridade, não tendo assim defesa: em um confronto corporal ou em táticas ou planos, o adulto leva vantagens sobre a criança. O confronto é desigual.
E, de fato, foram em circunstâncias estranhas. Tudo leva a crer que, de fato, foram o pai e a madrasta que cometeram o crime. Além disso, a versão dada pelo pai de ter uma terceira pessoa parece cada vez mais improvável e impossível de ter acontecido (embora nada - e é importante frisar tal fato - tenha sido comprovado ou desmentido).
Mas, por mais que seja um caso chocante, qual o objetivo de tamanha exposição? Acompanhar o caso pode ser até de interesse público, mas com detalhes tais para merecer tamanha cobertura midiática e tamanha atenção popular? Sei que casos desta forma, que envolve a subjetividade humana extrapola geralmente as explicações racionais humanas, mas e o resto do mundo, parou? Porque a pobre garota foi covardemente assassinada o resto não merece cobertura, discussões, reflexões e revoltas também?
Dois casos para mim refletem um pouco isso. Voltemos em 2005, aos acontecimentos em Brasília denominados "Mensalão". Não me recordo os valores (e, como o tempo é curto, infelizmente não pesquisarei - se alguém que ler quiser dar um toque no comentário, por favor o faça), mas sei que muito dinheiro foi usado de forma indevida, direcionado aos interesses de poucos abastados da política nacional. É só imaginar o tanto de Isabelas Brasil afora que deixaram de receber auxílio, deixaram de comer, de ter oportunidades de estudo, de ter uma vida um pouco mais digna, ou em casos mais extremados, que perderam a vida por incompetência do Estado. Houve até indignação popular, mas nem de longe causou tantas reflexões como o caso atual.
E, atualmente, temos o caso na Áustria, onde o pai manteve a própria filha em cárcere privado por vinte e quatro anos, violentando-a fisicamente e psicologicamente durante todo este tempo (na verdade a prática vinha desde a pré-adolescência da jovem, há mais de trinta anos) e tendo sete filhos com ela, sendo um morto, três criados pela avó e os outros três nunca terem vido os raios de sol e ter tido nenhum tipo de contato como exterior? Desculpem a possível monstruosidade do meu comentário, mas este caso é várias vezes mais chocante que o da pobre Isabela, e mal foi noticiado por aqui...
Tenho minhas profundas condolências pela família em relação a perca da garota, e é por este respeito que acho um absurdo a forma como o caso vem sendo tratado. Muitos pais ficaram revoltados, mas aposto que dá para contar nos dedos os pais que melhoraram suas atitudes em relação aos filhos, ou que simplesmente se sentiram bem por eles estarem vivos e saudáveis.
Bom, por hoje já falei demais. Espero a opinião de quem tenha lido; como já disse é importante para mim.
Abraços, até mais.

P.S -> Estarei colaborando em outro blog, onde trataremos de conteúdos mais relacionados às ciências humanas. Se quiserem passar por lá, o endereço é www.estacaod.blogspot.com - recomendo, é infinitamente melhor que este aqui (tirando meus posts, obviamente).

2 comentários:

Lucas disse...

Noite doutor.

É fato que a exposição da ' desgraça alheia' ( perdão pelo termo ) é sempre muito divulgada nos meios de comunicação até pelo fato de render o Ibope. Mas também é fato que não só Isabela, como também várias outras crianças morrem diariamente e não há nenhuma cobertura, você quase nunca verá na televisão um fato de que uma criança morreu de fome. (Eu, pelo menos, nunca vi) Afinal, é uma coisa óbvia, se ela morreu de fome, é porque não tinha comida. Não rende tanto quanto um caso como o de Isabela, onde há aquela tensão de saber o culpado, e coisa e tal.
A televisão brasileira, não divulga casos como esse por seus 'lindos' sentimentos, e sim pelo rendimento monetário desse nosso sistema capitalista.
Acontecimentos, como o da Áustria são tão chocantes como o caso em questão, porém não há tamanha divulgação quanto um caso que saiu daqui, as vezes até pelo próprio rendimento.
Sou muito suspeito pra falar disso, já que não aprovo esse 'reality show' sobre a morte de uma menina, e sim a justiça sobre ele.

Thiago disse...

De fato Lucas, é isto mesmo. Por isso que torna-se necessário atentarmos aos fatos que acontecem no dia-a-dia, não ficarmos presos unicamente ao que é vinculado. Caso contrário, caímos dentro destes espetáculos midiáticos (o Big Brother que o diga...).