Boa noite pessoal. Depois de uma ausência grande e injustificada, volto a meu querido espaço virtual...Sábado passado, depois de muita expectativa, finalmente tive contato com o filme O Cavalheiro das Trevas, continuação de Batman Begins e levemente inspirado na célebre revista em quadrinho de Frank Miller, considerados pelos especialistas em HQ como a melhor história de todos os tempos (não sei se de fato é a melhor, mas pode-se arriscar a dizer que é a mais inovadora). E, vi que minhas expectativas estavam corretas; o filme é sombrio, real, e denso do começo ao fim.
Calma, calma, não vou contar o filme. Não desejaria isso nem a meu pior inimigo (tá, tá, já contei pro meu querido irmão Henrique, mas por insistência dele; só abri exceção porque o Henrique é o Henrique), pois o filme precisa ser visto e, principalmente, sentido. As indagações feitas perpassam em muito a batalha travada no filme; as angústias e os modos de ver a própria existência são indagadas, de maneiras intensas e perturbadoras no filme. E vale a pena conferir, mesmo pra quem não gosta do Batman.
Cinematograficamente o filme é impecável. A parte técnica é ótima; Christopher Nolan acertou novamente na direção e principalmente no roteiro, mesclando os aspectos fantásticos que cercam a trajetória do Homem-Morcego com a sociedade em que vivemos, relatando acima de tudo as angústias e todos os surtos a que estamos expostos no dia-a-dia. O grande mérito do filme é travar uma proximidade de um universo a primeiro momento fantasioso; por mais que não queremos admitir, é fato (e, no contexto do filme, triste) notar que a história ali pode, de fato, acontecer, que não há nada de absurdo (nada mesmo). Finalizando, as interpretações são ótimas, o elenco estava muito bom. Sei que naturalmente todos os holofotes estão voltados para Heath Ledger, e com razão: sua atuação é fantástica, e o Coringa do filme é, sem dúvida, o personagem que mais me perturbou em um filme. Mas é necessário salientar outras duas atuações que estiveram no mesmo nível fenomenal de Ledger: Christian Bale e Gary Oldman. O primeiro mantem a complexidade dramática do primeiro filme e dá uma dimensão mais sombria ainda ao protagonista, que oscila entre o desejo de ajudar a cidade e a vontade de ser apenas "mais um"; o segundo dá uma dimensão fantástica ao principal elo do Batman com a polícia, demonstrando toda a importância do personagem Gordon sem precisar fazer caras e bocas pra tentar aparecer mais que os outros. E Oldman, que é um ator excepcional (mas conhecido atualmente pelo Sirius Black na série Harry Potter, mas que já fez inúmeros outros papéis de qualidade) demonstra a vital importância do personagem para todo o desenrolar da trama.
Podemos ver o filme tanto como uma ação como um drama: ele funciona e é competente nos dois aspectos. Portanto, vale a pena dar uma olhada.
E a pergunta do início do post serve como uma grande reflexão: estar sério geralmente é sinônimo de equilíbrio, de respeito, e muitas vezes de admiração. Mas, dando uma de Coringa, será mesmo?
Boa semana a todos. Até mais.
Um comentário:
Eita, eu não levo a vida seriamente, e juro que saí do filme perguntando ' Why so serious? " pra um monte de gente! :)
É incrível a sua capacidade de tomar por exemplo um filme supostamente 'banal' e 'irreal' e trazê-lo pra realidade de um modo que nos faça realmente pensar e enteder esse sentido. ( Depois você ainda diz que não é foda.. )
Mas, voltando ao filme, a realidade que ele nos trás não está muito longe da realidade não.. polícia matar pessoas inocentes já não é novidade, além do mais, a mídia já deu conta de colocar ' na boca do povo ' que a polícia realmente faz coisas extremamente condenáveis, e que boa parte dos 'policiais'¹ deveria estar por trás do lugar que eles mesmos 'protegem'.
¹- Já não sei se é correto o uso da palavra policial à pessoas que deveriam ter o nome de assassinos.
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